Adélia de Sousa: Uma Vida de Aventuras, Risadas e Flores
Adélia de Sousa: Uma Vida de Aventuras, Risadas e Flores
Aos 76 anos, Adélia de Sousa é uma mulher cheia de histórias, energia e um sorriso que ilumina qualquer conversa. Viúva e mãe de duas filhas, Marília e Roseli, ela vive em Portimão, onde aproveita seus dias entre lembranças das viagens que fez, momentos engraçados da sua carreira como guia turística e o carinho pelas suas plantas.
Uma Paixão pelo Minho e Suas Tradições
Adélia sempre teve um apreço especial pelo Minho, uma região que, segundo ela, tem "gente de coração quente e cultura vibrante". Suas viagens por lá foram marcadas por paisagens deslumbrantes e tradições únicas. Ela adora falar sobre Guimarães, o berço de Portugal, onde o Castelo de Guimarães e o Largo da Oliveira contam histórias de reis e batalhas. A cidade respira história, com suas ruas de pedra e arquitetura medieval que transportam qualquer visitante para tempos antigos.
Outro destino que encanta Adélia é Viana do Castelo, com seu imponente Santuário de Santa Luzia, de onde se tem uma das vistas mais espetaculares do país. A cidade é conhecida pelas suas festas populares, como a Romaria da Senhora da Agonia, onde os trajes típicos minhotos, bordados com ouro e cores vibrantes, desfilam pelas ruas em uma celebração de fé e tradição.
Mas se há um lugar que Adélia guarda no coração, é Ponte de Lima, a vila mais charmosa do Minho. "Lá, até o tempo parece andar mais devagar", diz ela, lembrando dos cafés à beira-rio e das feiras tradicionais onde se pode provar o famoso Vinho Verde. A ponte medieval que dá nome à vila é um dos cartões-postais mais icônicos da região, e os jardins floridos que a cercam tornam o cenário ainda mais encantador.
Além desses destinos, Adélia também se apaixonou por Braga, a cidade dos arcebispos, onde o Santuário do Bom Jesus do Monte e sua escadaria barroca impressionam qualquer visitante. A cidade é um centro de cultura e espiritualidade, com festividades como a Semana Santa, que atrai milhares de fiéis e turistas.
Outro lugar que a fascina é Barcelos, terra do famoso Galo de Barcelos, símbolo de Portugal. A cidade é vibrante, com mercados tradicionais e festividades como a Feira Medieval, onde as ruas se transformam em um cenário digno de contos de cavaleiros e donzelas.
Para Adélia, o Minho é um pedaço de Portugal onde a tradição e a hospitalidade se encontram em cada esquina. Seja nas paisagens verdejantes, nas festas animadas ou na gastronomia única, essa região sempre a faz sentir-se em casa.
O Turista Alemão, o Bacalhau "Mutante" e a Bicha Confusa
Como guia turística, Adélia viveu momentos inesquecíveis – e alguns que a fizeram rir até hoje! Um dos episódios mais memoráveis aconteceu com um turista alemão, que chegou cheio de curiosidade para provar a gastronomia portuguesa. Ele queria experimentar um prato típico, e Adélia prontamente sugeriu bacalhau à Brás. Mas a confusão começou quando ele franziu a testa e perguntou, muito sério:
"Mas como vocês conseguem cozinhar os braços do bacalhau?"
Adélia, tentando manter a compostura, ainda explicou que bacalhau à Brás não envolvia nenhuma mutação genética nos peixes portugueses. "Os bacalhaus aqui não são fisiculturistas!", brincou. Mas como o turista continuava desconfiado, ela pegou um guardanapo e desenhou um peixe inteiro – sem braços, claro! No final, ele provou o prato e adorou… Mas até hoje, Adélia não tem certeza se ele entendeu ou se apenas decidiu aceitar o mistério culinário português!
E como se os turistas estrangeiros não aprontassem o suficiente, houve também um episódio clássico com um turista brasileiro que queria pegar uma bicha. Em Portugal, "bicha" significa "fila", mas no Brasil… bem, digamos que o significado é bem diferente!
O brasileiro estava na bilheteira do museu e perguntou inocentemente:
"Onde eu pego a bicha?"
O funcionário português olhou para ele, completamente confuso, enquanto os outros turistas seguravam o riso. Adélia, vendo a situação, interveio:
"Meu amigo, por aqui dizemos 'entrar na bicha' quando queremos entrar numa fila. Mas acho que no Brasil essa expressão pode causar um pequeno escândalo!"
O turista caiu na gargalhada e respondeu:
"Então é melhor eu dizer 'Vou entrar na fila', senão minha esposa não vai gostar nada disso!"
Adélia adorava essas trocas culturais! Afinal, ser guia turística significava muito mais do que explicar monumentos – também era ajudar turistas a evitar pequenos desastres linguísticos!
Jardinagem: O Refúgio de Adélia
Nos dias mais tranquilos em Portimão, Adélia encontra paz e inspiração no seu jardim, um verdadeiro oásis de cores e aromas. Entre as suas roseiras e jasmins, sente que cada flor carrega uma história, como se fossem pequenos capítulos da sua própria vida. "Cuidar das plantas é como viajar sem sair do lugar – cada flor tem a sua própria personalidade, e cada cheiro traz uma lembrança," diz ela, enquanto conversa com as suas margaridas, como quem troca segredos com velhas amigas.
Adélia sempre acreditou que as flores têm um poder quase mágico. As suas lavandas parecem acalmar até os dias mais agitados, enquanto as alegres gerânios vermelhos dão energia ao seu jardim. Quando o vento sopra suavemente, as pétalas dançam, criando um espetáculo que, segundo ela, "é melhor do que qualquer filme romântico".
Os netos adoram ajudá-la a plantar novas mudas, e ela transforma cada tarefa em uma verdadeira aula de vida. Enquanto ensina como podar as folhas secas ou dar a quantidade certa de água, também vai contando histórias de sua juventude. "A jardinagem ensina paciência – a vida tem o seu próprio ritmo, e é preciso saber esperar pela flor certa no momento certo," reflete Adélia.
E, claro, há também um pequeno ritual que ela nunca deixa de seguir: todos os dias, ao fim da tarde, faz uma pausa para tomar um chá junto ao seu jardim, admirando suas flores como quem contempla pequenas obras de arte. "Elas são minhas confidentes, minhas inspiradoras… e, sem dúvida, minhas melhores terapeutas!" diz ela, rindo.
Para Adélia, cada flor representa um pedacinho de felicidade que pode ser cultivado com carinho e dedicação. Porque, como ela gosta de dizer: "A vida é como um jardim – se você regar com amor, sempre floresce."
Uma Vida Bem Vivida
Adélia de Sousa é a prova de que a idade não é um limite para viver com alegria e entusiasmo. Entre viagens, risadas e flores, ela continua a espalhar histórias e inspiração por onde passa. Como ela mesma diz: "O segredo da felicidade é simples: viajar, rir e plantar boas memórias!"
Recolha e Adaptação: Albino Monteiro
