O Riso Inconfundível de Francisco Menezes
O Riso Inconfundível de Francisco Menezes
Aos 61 anos, Francisco Menezes continua a fazer o que sempre fez melhor: provocar gargalhadas. Natural de Vila Nova de Gaia, este artista multifacetado passou pelas mais diversas artes – da música à rádio, do teatro ao cinema – mas foi no humor ao vivo que encontrou o seu verdadeiro altar. “Sou viciado em palco”, diz, com aquele brilho no olhar de quem ainda sente frio na barriga antes de entrar.
Francisco não se contenta com o conforto dos papéis fixos. Reinventa-se a cada espetáculo, testa limites, pisa no risco e ri do tropeço. Nunca foi humorista de palco engomado. Prefere o improviso, a conversa direta com o público, a surpresa do momento. A sua comédia tem sotaque, ritmo e um português afiado que dança entre o absurdo e a crítica social. “O limite é só um: o humor”, costuma dizer. E para quem não fala português, há sempre uma solução — desde que alguém avise.
Nos bastidores, Menezes é um homem calmo, quase introspectivo. Organiza os textos, revisa piadas, afina o tempo de cada frase como quem afina instrumentos. O riso do público é música, mas exige precisão. Fora dos holofotes, é pai dedicado, amigo leal e um leitor compulsivo de jornais, crónicas e livros sobre comportamento humano. “O comediante precisa saber de tudo — e rir de quase tudo.”
Ao longo das décadas, subiu a palcos pequenos e grandes, de bares escondidos a teatros lotados. Em cada lugar, deixou a marca do seu humor genuíno, sem máscaras nem fórmulas gastas. Já foi estrela de televisão, locutor de rádio, ator de cinema independente, mas é no stand-up — naquele lugar onde só existem um microfone e a coragem — que se sente inteiro.
Os espetáculos de Francisco são como conversas sem filtro com o país. Fala da política, da infância, do envelhecer, das diferenças entre norte e sul, das pequenas manias que nos unem. O público ri — às vezes ri tanto que chora. E ele sorri, porque sabe que o humor é ponte, é abraço, é catarse. “O riso é o único idioma que todos entendem — mas se for em português, ainda melhor.”
Hoje, Francisco Menezes é mais do que um comediante experiente: é uma voz que permanece viva num tempo de excessos e silêncios. Um mestre da palavra dita com astúcia, da pausa bem usada e da piada que desarma.
E quando lhe perguntam o segredo para ainda subir ao palco com tanto prazer, ele responde com simplicidade:
“Enquanto houver gente com vontade de rir, eu estarei aqui. Porque rir… é o que me mantém inteiro.”
Um homem que, com humor, traduziu o mundo em gargalhadas — e que continua, com cada risada, a resistir ao peso dos dias.
Recolha e adaptação: Viviane Cristina
