Idalina e os Versos da Vida: Entre Poesia e Memórias
Idalina e os Versos da Vida: Entre Poesia e Memórias
No coração do Porto, entre ruas que sussurram histórias e cafés que abrigam conversas infinitas, vive Idalina Martins, uma funcionária pública aposentada de 73 anos que descobriu na reforma uma nova forma de viver. Depois de décadas dedicadas ao trabalho burocrático, hoje ela se entrega de corpo e alma à poesia, um amor que sempre esteve presente em sua vida, mas que só agora tem tempo para florescer plenamente.
Desde jovem, Idalina teve um fascínio pelas palavras, escrevendo versos nas margens dos documentos que revisava no escritório. Contudo, a correria da rotina e as responsabilidades com seus filhos, Mauro e Rodolfo, não lhe permitiam explorar essa paixão como desejava. Agora, aposentada e morando sozinha na sua amada cidade do Porto, ela finalmente se permitiu mergulhar nesse mundo de rimas e metáforas, participando de encontros literários e grupos de poesia.
Seu primeiro grande projeto foi a coletânea de poemas que publicou no ano passado. Intitulada Rios e Ruas da Alma, a obra reúne reflexões sobre a passagem do tempo, o amor pelos filhos e as saudades de um passado cheio de promessas. “Escrever é como abrir uma janela para dentro de mim mesma”, costuma dizer aos amigos do clube de poesia. Sua sensibilidade e talento conquistaram admiradores e fizeram dela uma referência entre os escritores amadores da cidade.
Embora seus filhos vivam em Lisboa, Idalina não se sente sozinha. Mauro e Rodolfo visitam sempre que possível, trazendo consigo histórias da vida na capital e, claro, exemplares de novos livros que sabem que ela irá devorar. Nas videochamadas, ela atualiza os filhos sobre os eventos de poesia e os novos textos que está escrevendo, mantendo sempre viva a conexão com os dois.
Nos cafés da Ribeira, é comum encontrá-la com um caderno nas mãos, observando o rio e buscando inspiração para novos versos. Os clientes habituais já sabem que, vez ou outra, ela se perderá em devaneios poéticos, murmurando palavras antes de anotá-las. Para Idalina, cada dia é uma nova página em branco, pronta para ser preenchida com memórias e sensações.
A história de Idalina Martins nos lembra que a aposentadoria não é um fim, mas um recomeço. Que há sempre espaço para a arte, para os sonhos adiados, e que a vida nunca perde sua beleza quando se vive entre versos e lembranças.
Por Albino Monteiro
